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Apoio emocional para lidar com ambiente digital pode determinar escolha de escola

Uso da tecnologia, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental, pode contribuir para formação de autonomia e senso crítico do aluno

Adolescentes não recebem o apoio emocional e social necessário para enfrentar os desafios do ambiente digital. É o que apontam 90% dos brasileiros maiores de 18 anos com acesso à internet, segundo levantamento da Porto Digital em parceria com a Offerwise. Para Edson D’Addio, pedagogo pela Universidade de São Paulo (USP), especialista em adolescências pela Harvard e diretor pedagógico do Ensino Fundamental – Anos Finais na Escola Lourenço Castanho, essa realidade envolve também o uso da tecnologia nas escolas, especialmente quando o aluno chega às etapas finais do Ensino Fundamental, podendo ser, inclusive, um fator determinante na escolha de uma instituição.

“É muito importante não pensar só no Ensino Médio, precisamos partir do básico, ensinar a pensar, trabalhar para desenvolver o raciocínio lógico e pensamento científico desde a mais tenra idade, com foco em conceitos. São pilares para o desenvolvimento humano e a resolução de problemas que o aluno vai aplicar em qualquer contexto. Ele precisa saber ler, compreender e interpretar um texto, estabelecer relações e fazer inferências além de poder se expressar com clareza através da escrita”, afirma. Para Edson, a tecnologia é parte integrante desse desenvolvimento. “Temos uma intencionalidade e um plano de letramento digital que começa na Educação Infantil e vai até o Ensino Médio. A tecnologia sempre fez parte dos processos de aprendizagem, mas com planejamento e intencionalidade pedagógica. A escola precisa ensinar que não se trata apenas de consumir, mas também de produzir e compartilhar conhecimento com o coletivo”, comenta.

Além das habilidades acadêmicas e digitais, competências socioemocionais são fundamentais. Edson destaca que responsabilidade, resiliência, organização e criatividade ajudam os alunos a lidar com frustrações e a propor soluções. O desenvolvimento da autonomia também é um ponto central. “Antes do 9º ano não existe autonomia, existe independência, responsabilidade, mas não existe ainda condição de ele ser autônomo. Autonomia é a capacidade que um indivíduo desenvolve para analisar uma situação, elaborar possíveis decisões e projetar prováveis consequências para tomar uma decisão consciente. O que está diretamente associado à maturação do lobo pré frontal, que vai acontecer por volta dos 14 anos.”

A convivência entre adolescentes é outro aspecto que exige atenção. Para escolher uma escola, o especialista sugere que os pais façam uma visita, conversem com coordenadores e, se possível, vejam os alunos em horários de aula ou nos espaços de convivência. Isso permite observar se os alunos circulam, interagem, ocupam espaços coletivos e se há protocolos claros diante de conflitos ou situações, como bullying. “Mais do que regras formais, é essencial entender como a escola previne e acompanha esses episódios na prática”, pontua.

Uso intencional da tecnologia

O psicólogo e educador pela USP, Antônio Oliveira, também coordenador pedagógico do Ensino Fundamental – Anos Finais da Escola Lourenço Castanho, enfatiza ser um ponto fundamental o uso intencional da tecnologia. Ele ressalta que a escola deve integrar recursos digitais como ferramentas de aprendizado, investigação e colaboração, sem substituir a interação presencial, a leitura física ou as atividades manuais.

O educador destaca que preparar o jovem vai além de memorizar informações. “O estudante precisa desenvolver competências gerais que permitam aprender continuamente, ler e navegar o mundo com autonomia e crítica. Isso inclui capacidade de ouvir e dialogar, gestão do tempo, colaboração e resiliência diante de desafios”, afirma.

Para isso, é importante observar o ambiente escolar. Relações marcadas por respeito mútuo, escuta ativa e segurança emocional indicam que a convivência é saudável. Um clima equilibrado em sala de aula, corredores e pátios, sem silêncio tenso nem bagunça constante, mostra que as regras são ouvidas e compreendidas pelos estudantes.

Em vista disso, o apoio individualizado é crucial. “Isso aparece quando a escola conhece de verdade cada aluno e oferece caminhos para que ele avance no seu próprio ritmo. Isso pode incluir projetos que valorizam talentos específicos, grupos de estudo à tarde e aulas de apoio para reforçar conteúdos ou aprofundar aprendizagens. Também é importante que haja uma orientação educacional próxima e uma equipe de apoio que acompanhe os alunos no dia a dia. Quando esses recursos estão integrados ao currículo e à vida escolar, o estudante percebe que não é apenas ‘mais um na turma’, mas alguém com um percurso respeitado e cuidado”, finaliza. 

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